Da redação
César Werlon pode ser chamado de Beep Dee. O talentoso DJ e produtor que reside em Brasília, é residente do 5uinto e já lançou por selos de renome como Hot Creations, Discotech Music e 5uinto Records. Estudante de composição musical na UnB, César é um artista que vive uma busca constante por um som que o defina, além de possuir uma preocupação de construir algo que ultrapasse as barreiras da dance music. Após um 2017 de trabalho intenso, com direito a gigs na Austrália e lançamentos importantes, conversamos com ele. Confira o resultado desse bate-papo abaixo:
HOUSE MAG – Oi, Cesar! Obrigado por nos atender. Ao longo da sua carreira você sempre foi respeitado como um artista capaz de se manter fiel aos seus conceitos e influências. Na sua visão, o que isso traz de melhor na carreira de um artista?
BEEP DEE –
Realmente sou fiel às minhas propostas e acredito que a dedicação e o pensamento coerente com a verdade de cada artista são ferramentas de construção de uma carreira sólida e produtiva.HOUSE MAG – Impossível não falarmos de “From Above”, um dos trabalhos mais importantes da sua carreira, lançado pela Hot Creations. Fale um pouco a respeito do processo criativo desse single e qual a importância que ele tem na sua vida profissional? BEEP DEE – Fiz essa música em 2012. Foi um processo rotineiro, sentei em frente ao computador e achei uma acapella do grupo disco dos anos 60, The Supremes. Experimentei uns baixos, acordes e arpeggios e tudo fluiu. Inicialmente não consegui ver o potencial desta faixa, mas resolvi mandar para o Jamie Jones e Lee Foss e eles acabaram curtindo bastante. A track saiu em 2014 e com certeza foi um grande passo em minha carreira, tenho muito carinho por ela.
HOUSE MAG – Por falar nisso, fale um pouco sobre sua relação com Jamie Jones e Lee Foss… Como foi seu contato com eles?
BEEP DEE – Tudo iniciou quando escutei a faixa Mars, do album Don’t you remember the future, do Jamie Jones. Gostei tanto que resolvi acompanhar tudo que ele fazia, consequentemente isso me levou até o Lee Foss, pois eles já trabalhavam juntos no projeto Hot Natured. Em 2010 fiz a track Colorado e resolvi enviar despretensiosamente para o email do Jamie que encontrei no Myspace, ele escutou e respondeu no mesmo dia, curtiu tanto que resolveu lança-la. Após esse contato recebi o convite para fazer um remix para o single “Isis” do Hot Natured, que saiu na gravadora do Pete Tong, e logo em seguida a From Above foi lançada na Hot Creations. Tudo ocorreu muito naturalmente, toda comunicação foi por meio da música.
HOUSE MAG – Esse ano você teve bons lançamentos por selos como 5uinto Records, Plano B Records e mais recentemente pela Discotech Music. Como está o seu momento atual de inspiração no estúdio? Há planos para 2017?
BEEP DEE – Estou em um momento ímpar na produção musical, um momento de busca. Sempre me inspirei em outros artistas para me motivar a produzir, mas agora as coisas que tenho escutado não estão me interessando como antes. Estou em um momento de me ouvir, de olhar pra dentro. Em 2017 sei que terei belos resultados deste processo.
HOUSE MAG – Pouca gente sabe mas você estuda composição musical na Universidade de Brasília e tem conhecimento sobre vários instrumentos, não é mesmo? De que forma essas duas experiências contribuem para seu lado DJ/produtor?
BEEP DEE – Eu amo estudar música e dentro da universidade eu tenho a oportunidade de conhecer muita coisa interessante. Posso dizer que estudar música transformou completamente a minha vida. O convívio com os colegas, com o professores e as possibilidades de explorar diversos instrumentos e aspectos da música são absolutamente essenciais para mim como pessoa e como profissional. De alguma forma, posso me ver fazendo parte da história e da evolução da música eletrônica (dance music) na academia, e tudo que aprendi, sem sombra de dúvidas, contribui nas minha atividades como DJ/Produtor, pois ampliei bastante meu vocabulário e minha percepção musical.
HOUSE MAG – Frequentemente você se apresenta na Moving, uma das mais tradicionais noites do D-EDGE. Como a atmosfera do club, que é tão importante na cena mundial, contribui para o seu aperfeiçoamento como DJ? BEEP DEE – D-EDGE é demais! A estrutura, soundsystem e o público sempre me proporcionaram aulas de dance music, seja tocando ou dançando na pista. Toda vez que vou ao club saio com uma percepção diferenciada a respeito do papel do DJ, desde o contato com o público à seleção de cada música.
HOUSE MAG – Esse ano você realizou uma tour bem legal pela Austrália, não é mesmo? Fale um pouco a respeito dessa experiência, pessoas e clubs que conheceu.
BEEP DEE – Foram duas festas em Sidney. Fiquei muito surpreso, pois o público me aguardava com uma grande expectativa. Primeiro toquei na festa SubClub do núcleo de festivais Subsonic, que aconteceu no meio da cidade, no Zoo Project, um club pequeno, mas muito acolhedor. Eu deveria fazer um set de duas horas, mas acabei tocando por mais de quatro horas. Rolou uma energia indescritível do começo ao fim do set e um conexão especial com o público. O feedback da galera foi muito inspirador pra mim. A outra gig em Sydney aconteceu no principal club da cidade, o SASH. A festa começou as 14hrs, em meio aos prédios, no lado norte da Harbour Bridge, a famosa ponte de Sydney e ao anoitecer a festa continuou no club, um espaço com mais de 5 pistas e uma vista incrível. Mais uma vez fiquei impressionado com a energia da pista e a conexão das pessoas com minha música. A Austrália é alucinante! Foi uma experiência maravilhosa tocar lá. Fiz boas amizades e pretendo voltar.
HOUSE MAG – Para finalizar, algo mais pessoal. Em qual palavra você define seu som atualmente? Obrigado! BEEP DEE – Imprevisível.
