
Por Jonas Fachi
Com uma mistura de talento e dedicação, o DJ e produtor Catarinense Wilian Kraupp tem conquistado a cada dia mais respeito e admiradores por todos os lugares que passa. Para ele, o segredo está na paciência, pensando alto e agindo progressivamente, sua capacidade evolutiva dentro do estúdio e atrás dos decks tem sido constantes. Seguindo a cartilha do artista moderno, hoje é figura indispensável na composição de horários nobres em clubes como Warung e D-edge. Nesta entrevista, podemos conhecer um pouco mais da mente por trás do carismático e profissional DJ, que não obstante tem caminhado para o mercado internacional.
Olá Wilian, muito obrigado por ceder algumas palavras para House Mag. Temos acompanhado sua carreira e a consolidação nacional que você tem obtido como um dos artistas mais requisitados no país, a palavra exata para 2016 seria esta? Consolidar as conquistas?
Acredito que sim, esse ano foi difícil para quase todos os setores da economia, então as pessoas tendem a cortar gastos, e um deles é entretenimento e lazer. Por consequência, os promotores de eventos arriscam menos também, então temos no final um ano com menos opções de se apresentar para todos. Felizmente eu tenho conseguido, junto com as pessoas que trabalham no desenvolvimento da minha carreira, criar em pouco tempo um ciclo de clubes e festas importantes principalmente no sul e sudeste, lugares como o D-edge, clube 88, Warung e Vibe eu estive duas ou três vezes no ano, sendo datas que me proporcionaram uma representatividade enorme.
Se for para citar dois momentos que você teve na pista de dança nessa temporada, quais vem mais rápido na memória?
Tive grandes momentos em diversos lugares novos, como no interior do Rio Grande do Sul e de São Paulo, descobrindo quão distante está nossa cena. Porém, penso em destacar o meu primeiro festival, no Warung Day. Eu toquei ainda de tarde, e peguei um momento em que as pessoas estavam chegando no evento de uma vez só, e de repente sai de uma pista tímida para cheia em 15 minutos e eu só pensava em poder fazer aquelas pessoas já começarem a curtir, fiquei muito feliz em poder entregar o Warung Stage para os próximos artistas, cheio e com os aplausos pelo meu set. Outro momento marcante foi ter dividido a noite no Warung com o Marcel Dettmann. Toquei das 2 as 4, e tinha um desafio enorme de ajustar um pouco meu som para a proposta da noite, consegui ir aos poucos me aproximando do techno do Dett, e penso que as pessoas gostaram. Fiquei feliz também em saber que o próprio Marcel comentou para meu manager Igor (Apex), que tinha gostado muito de como entreguei a pista pra ele, foi algo surreal, um dos maiores ícones do techno ter me ouvido tocar.
Você tem trabalhado nas duas faces da música eletrônica, sendo o construtor e também disseminador para o cenário, em qual dos lados você se considera mais criativo?
Eu ainda não sei dizer em qual dos lados tenho mais inspiração, são coisas diferentes, tocar e produzir, tento buscar conhecimento e aprimoramento em equivalência, tem artistas que só tocam, e conseguem se tornar reconhecidos pela grande capacidade de criar histórias e envolver as pessoas, outros fazem isso no estúdio, e depois vão aos eventos porque as pessoas querem ouvir aquelas músicas, muitos não necessariamente são Djs. Eu amo as duas coisas e não me vejo fazendo só uma delas.
O Brasil tem revelado a cada ano mais e mais novos produtores para o mundo de todos os estilos, você em algum momento foi um desses, ao que você atribui essa aceleração? Você acredita que a produção musical está sendo banalizada em fórmulas que se copiam?
Em todas as profissões existem pessoas que criam e inovam e outras que só seguem as tendências e tentam se aproveitar disso, na música eletrônica não é diferente. Se você se refere a banalização da produção por estarem fazendo música apenas em um computador, eu acho que não, foi assim que comecei, e penso que a internet e o desenvolvimento de plugins virtuais tem feito uma revolução na música. Antes os equipamentos analógicos ficavam apenas em uma pequena parcela de produtores, hoje você pode começar no computador apenas e fazer uma música com qualidade tão boa quanto, o que importa é ela ter significado, e fazer sentido para quem ouve. Assim você pode ser reconhecido e depois certamente vai conseguir comprar equipamentos reais, então no fundo o digital tem feito o analógico crescer. A única banalização que vejo é a pressa em querer mostrar algo que não está pronto ainda, ter esse cuidado é essencial para o sucesso.
E depois, como se manter e crescer?
Ter as primeiras portas abertas realmente é muito difícil, mas se manter dentro é ainda mais, por isso comentei antes no cuidado para não atropelar os processos, eu sempre falo que tenho uma mente sonhadora, mas os pés bem no chão, se preparar, estudar, ter ao lado profissionais que te deem bom suporte, pra quando tiver as chances estar confiante e assim naturalmente surpreender as pessoas. A palavra é ter paciência, e depois nunca se deixar acomodar. Todos os grandes artistas estão sempre se movimentando em alguma direção, as vezes podem passar um tempo sem aparecer muito, mas sempre estão trabalhando e se reinventam dentro do próprio estilo, e por isso sempre chegam nos lugares com pessoas sedentas por ouvi-los. É assim que eu penso para os próximos passos.
Esse ano, você teve seu primeiro lançamento em vinil pela importante gravadora Material Series, conte-nos como surgiu o convite e a representatividade desse trabalho.
Lançar em vinil era um sonho, e ainda por uma gravadora do porte da Material Series, eu admiro o trabalho do Mark Broom a frente da label, e pude participar de um VA chamado “Material Heads Vol 9’’ com a música “Spinback’’ que saiu em outubro na Juno e Decks Records pra venda. Ter seus pensamentos impressos em matéria física é algo sem explicação, isso por si já representa muito pra mim.
Aconteceu também sua primeira gig fora do país, como foi a experiência?
Foi em Resistência del Chaco, na Argentina no clube Big Sound. Eles já estavam me sondando pra uma data, e teve um artista internacional que cancelou a sua tour lá, então eles vieram procurar o Igor e por sorte bem naquele final de semana eu não tinha agenda, foi tudo muito rápido e a festa foi maravilhosa, um clube pequeno, um sound system poderoso e pessoas que estavam ali verdadeiramente, é sempre uma sensação diferente levar a sua música pra lugares que você nunca tinha ouvido falar.
2016 está quase terminando, mas o ano ainda promete grandes coisas, você irá se apresentar na próxima semana ao lado de Marco Carola no Warung, como está a expectativa?
Mal posso esperar, o Marco foi o primeiro grande artista a tocar minha música, foi e ainda é muito importante pra mim, como referência. E agora poder dividir cabine com ele, e ainda no Warung? Uff… Vai ser marcante, espero poder dar o meu melhor.
Qual a música do momento em seu set? E muito obrigado pela participação.
Não consigo deixar de tocar ‘’Go’’ do Nick Curly, ele teve um grande ano como produtor, e seu selo 8bit é um dos mais interessantes que venho acompanhando.
